A música no cérebro - processamento local e redes distribuídas
Um problema antigo da neurociência diz respeito ao processamento da informação no cérebro, particularmente "o lugar" onde essa informação é processada.
No caso da música, os ouvidos transformam a informação acústica em inputs que serão transmitidos ao órgão de processamento central - sim, o cérebro - e lá receberão o devido tratamento.
Existe uma tradição de pesquisadores que supõem a existência de regiões cerebrais específicas de processamento destas informações. Um dos livros de divulgação científica relacionados à música e à cognição mais relevantes no Brasil - A música no seu cérebro, de Daniel Levitin - traz um pequeno atlas ao final com o mapeamento dos locais de processamento.
Em geral - e pode haver alguma variação entre os pesquisadores - há uma ideia de que o processamento se iniciaria de baixo para cima, ou seja, partindo das regiões mais centrais do cérebro e buscando as regiões mais superficiais do chamado neocortex.
Recentemente, outra corrente tem sustentado que o processamento ocorre de forma distribuída, de modo que a informação - e neste caso, a informação musical - seja processada em múltiplas regiões simultaneamente. Por conseguinte, a primeira corrente de pesquisadores ficou conhecida como localizacionistas, ao passo que a segunda corrente ficou conhecida como distribucionistas. Miguel Nicolelis, em seu livro Muito além do nosso eu, expõe uma revisão destas duas correntes.
O estudo do processamento da informação musical no cérebro ainda continua em desenvolvimento. Os dados de que dispomos têm apontado para a ativação de uma rede complexa, sugerindo que a hipótese dos distribucionistas pareça fazer sentido, especialmente quando considerando os dados funcionais.
Para ilustrar essa questão, deixo aqui o link no Youtube do vídeo The Tango Brain. O vídeo é resultado de uma pesquisa liderada por um grupo finlandês que mostrou, através de dados de ressonância magnética funcional (fMRI) modelados estatisticamente através do Matlab, o funcionamento do córtex cerebral durante uma atividade de escuta musical. As cores vermelho e azul indicam, em linhas gerais, o fluxo sanguíneo no cérebro, sendo vermelho indicativo de alto fluxo e azul indicativo de baixo fluxo.
G.